Roda de conversa é destaque na Semana de Conscientização sobre Diabetes

por Imprensa publicado 19/11/2019 10h15, última modificação 26/11/2019 13h45
Prevenção
Roda de conversa é destaque na Semana de Conscientização sobre Diabetes

Evento reuniu membros da ADPC, profissionais da Saúde, representantes de entidades sociais e comunidade em geral

Atendendo a um requerimento do vereador Lucas Arruda (Rede), a Câmara de Poços promoveu, na última semana, uma roda de conversa sobre o tema Diabetes. O encontro marcou as atividades da Semana de Combate e Conscientização contra a doença, instituída através da Lei Municipal n. 9.243 e aprovada pelo Legislativo em 2018. O evento foi realizado em parceria com a Associação dos Diabéticos de Poços de Caldas (ADPC).

Profissionais da saúde, psicólogos, pacientes e familiares acompanharam o debate, que discutiu, entre outros assuntos, dificuldades enfrentadas pelos diabéticos, serviços oferecidos no município, qualidade de vida, tratamento e políticas públicas na área. A roda de conversa contou com a presença dos vereadores Lucas Arruda e Álvaro Cagnani (PSDB), do secretário municipal de Saúde Carlos Mosconi, do presidente e da fundadora da Associação dos Diabéticos Paulo Sérgio Costa e Nanci Saquelli, da enfermeira responsável pelo Programa de Diabetes da Prefeitura Gilmara Franco, da psicóloga Mariane Saquelli, da enfermeira da rede municipal de saúde Daiana Tavares, do delegado do Conselho Regional de Fisioterapia João Carlos Naldoni e do médico endocrinologista Dr. Júlio César Salles Santos.

O debate teve início com a exposição do trabalho desenvolvido pela ADPC no município. Criada em 2007, a entidade tem como objetivo oferecer ajuda aos portadores da doença e seus familiares. “O objetivo é nos ajudar mutuamente. Todos precisam de medicamentos, a maioria é fornecido pelo estado e município, e muitas vezes acontece de atrasar a entrega. Através da Associação nos ajudamos e assim vamos caminhando”, ressaltou o presidente.

Nanci Saquelli destacou como ponto principal do tratamento a informação. “Estou como voluntária da Associação, sou presidente fundadora e tenho uma filha diabética há 15 anos. O que falta muito no tratamento dos diabéticos é a informação. Acredito, sinceramente, que informação corresponde a 80% do tratamento. Estou na comissão eleitoral agora e temos a missão de conseguir 15 pessoas para os conselhos. Quem quiser ser voluntário, pode nos procurar. Toda ajuda como profissional, diabético ou não, é sempre bem-vinda”, enfatizou.

As enfermeiras da rede pública de saúde apresentaram o trabalho realizado pelo município. Orientações básicas aos pacientes, auxílio para aplicação da insulina, realização do teste de glicemia e fornecimento dos insumos foram assuntos abordados. Gilmara Franco, responsável pelo Programa de Diabetes, comentou que, atualmente, a Secretaria de Saúde fornece insulina para aproximadamente três mil diabéticos. Segundo a enfermeira, toda pessoa portadora da doença tem direito ao medicamento, desde que tenha passado por uma unidade do SUS. “Na verdade, o programa de diabetes como existia há um tempo atrás, centralizado na rua Amazonas, não existe mais. Agora, todo o atendimento, ou seja, a porta de entrada para todos os atendimentos, são as unidades dos PSFs. Eu fico na Policlínica como uma referência para os pacientes diabéticos. Então, eles dão entrada pela Unidade Básica de Saúde e depois passam com a gente”, explicou.

Gilmara falou, também, sobre como o estilo de vida das pessoas contribui para a prevenção da doença. “Temos em Poços em torno de três mil pessoas que pegam os insumos oferecidos pela Prefeitura. A doença é crônica e exige muito cuidado. No mundo, uma em cada 11 pessoas possui diabetes e no Brasil são em torno de 13 milhões. Esse número tende a aumentar devido à vida moderna, sedentarismo, envelhecimento e obesidade. É uma doença que se não bem cuidada possui muitas complicações. A mensagem que deixo é que sendo diabético precisa do tratamento correto. Não sendo, precisa se cuidar, ter uma dieta equilibrada, praticar atividades físicas, não fumar e não beber”, afirmou.

Mariane Saquelli, psicóloga clínica, falou sobre a importância da atuação do profissional nesse processo. “O primeiro momento é o acolhimento, porque na hora que o diabético recebe a notícia é algo muito impactante, ele se sente perdido, começam os questionamentos, as frustrações, os sentimentos de raiva e medo. Então, a psicologia pode ajudar nesse processo, acolhendo todas essas demandas, questões, dúvidas e, também, com relação à aceitação. Isso porque, muitas vezes, o diabético quando recebe o diagnóstico faz a pergunta quem sou eu agora, não sou mais a mesma pessoa, o que vai mudar, o que vou fazer agora. O processo psicoterápico vem pra ajudar nisso, principalmente a lidar com a regulação das emoções”, comentou.

O vereador Lucas Arruda afirmou que a realização da roda de conversa partiu de uma demanda da sociedade, apresentada pela Associação dos Diabéticos, e que o debate contribuiu para a troca de informações. “Contamos com a presença de um médico endocrinologista, que pôde explicar melhor o que é diabetes, as diferenças existentes entre os tipos 1 e 2, como diagnosticar, entre outros assuntos, e também de outros profissionais que falaram sobre o tratamento e acompanhamento da Secretaria da Saúde. Tivemos algumas demandas do público, entre elas a de uma profissional que atua na AADV. Ela apresentou uma questão importante, que é sobre pacientes diabéticos que usam insulina e possuem deficiência visual. Esse paciente não consegue manusear o glicosímetro sozinho e, hoje, já existem aparelhos adaptados para os deficientes. Foi solicitada uma atenção especial do poder público nesse sentido e pedi a ela que enviasse uma listagem para que possamos fazer um levantamento de custo e encaminhar ao Executivo”, declarou.

O vídeo da roda de conversa, com todas as apresentações feitas, está disponível para consulta na página da Câmara no YouTube.

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